Tarifa zero nos ônibus prometida por Lula pode custar R$ 12 bilhões
Lula Foto: Sergio Lima/AFP
Projeção foi realizada por especialistas
Um estudo realizado por especialistas aponta que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende enviar ao Congresso Nacional para tornar o transporte público gratuito aos fins de semana pode custar cerca de R$ 11,8 bilhões por ano.
A medida anunciada na última quinta-feira (15), durante entrevista concedida à jornalista Renata Lo Prete, na TV Globo, usaria como fonte financeira emendas parlamentares.
A projeção foi feita pela XP Investimentos, usou como base dados públicos de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Brasília, e alerta para os riscos da execução da medida.
— É fundamental destacar que o governo federal dispõe de espaço fiscal limitado. O orçamento de 2026 já prevê aumento das despesas com previdência social e assistência social, além de novos programas, como o Pé-de-Meia e o vale-gás. Mesmo que fossem identificadas novas fontes de receita, como o aumento dos impostos sobre combustíveis, ainda não haveria margem suficiente para acomodar essa medida dentro do teto de gastos — alertou o estudo.
As capitais analisadas representam 25% da demanda nacional de passageiros do transporte público, com cerca de 300 milhões de passageiros ao mês, segundo a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU). Os dados do estudo foram divulgados por Malu Gaspar, do jornal O Globo.
Ainda de acordo com a XP, as cinco cidades foram usadas como base por não haver dados consistentes sobre os demais municípios. Nelas, o gasto calculado seria de R$ 3 bilhões, servindo como base para a projeção final.
A direção do PT ainda não sabe como irá financiar o projeto anunciado pelo presidente.
— Ainda não há uma solução fechada, mas seria criada uma espécie de fundo. Esse fundo seria utilizado como um sistema único do transporte, como se fosse um “SUS” do transporte. Esse valor iria ajudar as prefeituras a pagarem o subsídio do transporte de ônibus nos dias em que ele for gratuito — salientou o deputado Jilmar Tatto (PT-SP).
Especialistas consideraram frágil a proposta de usar emendas parlamentares para financiar o benefício, pois precisaria do aval dos deputados, que deixariam de usar os ativos para suas propostas, a fim de cobrir um compromisso que é das prefeituras. Tatto concordou que essa é uma preocupação do governo.
Kleber Pizão
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