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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

TESTANDO LIMITES

Acossado, Legislativo testa limites da República


Habituadas a participar de festas infantis, as crianças sabem como é arriscado soprar balões até que eles estourem na cara dos imprudentes. Acossados pela Lava Jato, os congressistas brasileiros decidiram testar os limites da República. Tentam descobrir o ponto exato que antecede a ruptura das instituições.
desfiguração do pacote anticorrupção numa emboscada contra o intresse público que os deputados executaram de madrugada deixou o saco nacional perto do limite. Ao adicionar às propostas que visavam perseguir criminosos uma emenda que intimida os agentes públicos que combatem o crime, a Câmara levou a desfaçatez às fronteiras do paroxismo. Alguns hálitos a mais e a coisa explode.
“Pode-se tentar calar o juiz, mas nunca se conseguiu, nem se conseguirá, calar a Justiça'', escreveu, em nota oficial, a ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal. A “lei da intimidação” foi o “golpe mais forte desferido contra a Lava Jato em toda a sua história”, lamentou o procurador Deltan Dellagnol. “Nossa proposta é renunciar coletivamente” à operação se esse ataque for sancionado pelo presidente da República, ameaçou o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima.
Exercendo impunemente a presidência do Senado como se nada tivesse sido descoberto sobre ele, Renan Calheiros levou os lábios ao bico do balão para soprar um pouco mais. Disse que o pacote anticorrupção teve dos deputados o tratamento que mereceu. As medidas só poderiam ser adotadas “no fascismo”, afirmou, antes de retomar sua cruzada pela aprovação de uma lei para imprensar juízes que imprensam os corruptos


Josias de Souza

IMPLICADOS PEDEM PUNIÇÃO

Implicados na Lava Jato queriam punir juízes e MP


Uma das propostas mais polêmicas incluída no pacote anticorrupção, a que cria a possibilidade de punir juízes e integrantes do Ministério Público Federal por abuso de autoridade, foi aprovada por um placar de 313 votos a 132. Apesar de deputados de praticamente todos os partidos da Câmara terem apoiado a medida, PT, PMDB e PP foram as bancadas que mais deram votos para a proposta.
No PT, apenas um dos 55 deputados votou contra a medida - o ex-presidente do Corithians Andres Sanchez (SP), investigado na Operação Lava Jato. No PMDB, 46 dos 56 deputados votaram a favor da medida e, no PP, o placar foi de 34 dos 42.
Os três partidos têm diversos integrantes investigados pela Lava Jato. A força-tarefa que comanda as investigações viu a aprovação da proposta como uma retaliação ao trabalho do grupo e, em entrevista coletiva nesta quarta-feira, 30, ameaçaram renunciar os trabalhos dessa investigação caso a proposta avance no Legislativo e seja sancionada pelo presidente Michel Temer.
No PDT, cujo líder Weverton Rocha (MA) foi o autor da proposta, o apoio também foi em peso. Dos 15 deputados, apenas um votou contra.
No PSDB, por sua vez, a maioria dos deputados votou contra a medida. Foram 32 votos contra e 10 a favor.
Também votaram em peso contra a proposta os parlamentares de legenda com baixa representatividade na Câmara, como PSOL, Rede, PROS e PMB.
Pela proposta, juízes, procuradores e promotores poderão ser processados e condenados a cumprir pena de seis meses a dois anos de reclusão caso fique comprovado que eles cometeram abuso de autoridade. 

(Agênca Estado)

AMEAÇA DOS PROCURADORES

Pacote: Força-Tarefa ameaça abandonar Lava-Jato

Procuradores classificam emendas aprovadas pela Câmara como golpe mais forte conferido à Lava-Jato

Os integrantes da força-tarefa da Lava-Jato ameaçaram renunciar ao trabalho na operação, caso o pacote anti-corrupção, aprovado nesta madrugada pela Câmara, seja aprovado pelo Senado ou sancionado pelo presidente Michel Temer. Durante coletiva de imprensa em Curitiba, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima disse que, em caso de sanção ao pacote pelo presidente Michel Temer, “nossa proposta é de renunciar coletivamente” à operação.
— Fica claro com a aprovação desta lei que a continuidade de qualquer investigação sobre poderosos, sobre parlamentares, sobre políticos, cria riscos pessoal para os procuradores. Nesse sentido, nossa proposta é de renunciar coletivamente caso essa proposta seja sancionada pelo presidente — disse Carlos Fernando.
A Lava-Jato classificou o texto, aprovado pela Câmara, como “um ataque” e pediu para que a proposta não seja aprovada. Durante pronunciamento à imprensa em Curitiba, o procurador Deltan Dellagnol, coordenador da Lava-Jato, disse se tratar “do golpe mais forte deferido contra a Lava-Jato em toda a sua história”.
A força-tarefa foi constituída por procuradores de vários estados. Segundo o procurador Carlos Fernando, caso a proposta seja sancionada pelo presidente, os procuradores irão renunciar e retornar às suas atividades habituais em outras procuradorias ao redor do país.
— Nós vamos simplesmente retornar para nossas atividades habituais porque muito mais valerá a pena fazer um parecer em previdenciário do que se arriscar investigando poderosos — afirmou o procurador.
Em nota, os promotores da Lava-Jato acusaram a Câmara de se aproveitar do acidente aéreo com o time da Chapecoense para "subverter" o projeto de iniciativa popular.
Aproveitando-se de um momento de luto e consternação nacional, na calada da madrugada, as propostas foram subvertidas. As medidas contra a corrupção , endossadas por mais de 2 milhões de cidadãos, foram pervertidas para contrariar o desejo da iniciativa popular e favorecer a corrupção por meio de intimidação do Ministério Público e do Judiciário"
Para os integrantes do Ministério Público, "as 10 medidas foram rasgadas" e "manteve-se a impunidade dos corruptos e poderosos". Segundo eles, a mensagem que os deputados deram à sociedade foi "persigam os juízes e promotores e soltam os colarinhos brancos".
Lima Santos disse que a desfiguração do projeto original foi um revés para a população e não a Lava-Jato.
— Ludibriada foi a população, não o MInistério Público. Quem se aproveitou de um desastre que consternou o país não fomos nós. Agimos sempre com transparência. Em uma noite tudo se pôs a perder — disse Santos Lima.
Deltan afirmou que postura dos deputados é uma reação às investigações, já que estão chegando aos políticos.
— Fizeram isso porque estamos investigando. Chegaríamos muito mais longe.


O Globo

A PROPOSIÇÃO DE MORO

Abuso de autoridade: Moro proporá mudança no Senado


O juiz Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato, vai apresentar pessoalmente proposta ao Senado para que o projeto de lei sobre abuso de autoridade tenha um artigo que impeça a punição de juízes, promotores e policiais por atos ligados a interpretação de leis e avaliação de fatos e de provas.
A inclusão desse texto no projeto de lei poderá afastar parte da ameaça "de que a nova lei de abuso de autoridade tenha o efeito prático de tolher a independência da magistratura e a atuação vinculada à lei por parte do Ministério Público e da autoridade policial", de acordo com o magistrado.
Moro irá apresentar a sugestão ao plenário do Senado na quinta-feira (1º) às 11h e preparou um ofício aos congressistas sobre o tema.
No documento, o juiz federal diz entender que "este não é o melhor momento para deliberar sobre o projeto" da lei de abuso de autoridade pois sua aprovação poderá ser interpretada como medida para impedir o avanço de investigações criminais importantes como a Lava Jato.
Porém, se o Congresso levar adiante a proposta legislativa, ela não pode tornar crime o trabalho analítico das autoridades em investigações e processos, segundo o juiz.
"Direito não é matemática e pessoas razoáveis podem divergir razoavelmente na interpretação da lei e na avaliação de fatos e provas", escreveu Moro.


Folha de S.Paulo – Estelita Hass Carazzai e Flávio Ferreira

TENTOU E NÃO CONSEGUIU

Renan tentou incendiar pacote anticorrupção


No momento em que o presidente do Senado, Renan Calheiros, corre o risco de virar réu no Supremo Tribunal Federal, o senador fez um movimento político arriscado ao tentar aprovar a urgência para votação das medidas de combate à corrupção. O pacote aprovado nesta madrugada pela Câmara dos Deputados, desfigurou o projeto, originalmente apresentado pelo Ministério Público.

A articulação de Renan explicitou de tal forma um movimento desesperado que ele foi derrotado pela maioria do Senado.

Em meio ao cenário de tensão política e de confronto institucional entre Legislativo e integrantes da Lava Jato, o recomendável seria dar mais tempo ao debate para que houvesse sobriedade na análise das medidas de combate à corrupção. Mas o que Renan tentou fazer, no início da noite desta quarta-feira, foi, justamente, o contrário.


Se a tese de Renan prosperasse, certamente iria acirrar os ânimos entre as instituições e incendiar a análise das medidas de combate à corrupção. 


Gerson Camarotti - G1

'PACOTE ANTICORRUPÇÃO'

SENADORES DERROTAM TENTATIVA DE RENAN DE VOTAR ÀS PRESSAS 'MONSTRENGO' DA CÂMARA
A TENTATIVA DE REN, CLASSIFICADA DE "GOLPE", FOI RECHAÇADA PELA MAIORIA DO SENADO. (FOTO: ROQUE DE SÁ)

RENAN QUERIA VOTAR VAPT-VUPT 'PACOTE ANTICORRUPÇÃO' DA CÂMARA

O presidente do Senado, Renan Calheiros, foi derrotado pelos senadores na tentativa de sem votação, apressadamemnte, o projeto de lei aprovado na Câmara dos Deputados, na calada da madrugada desta quarta-feira (30), que desfigurou a proposta original de Dez Medidas Contra Corrupção. O requerimento de urgência, pretendido por Calheiros, foi derrotado por 44x14 votos.
A tentativa de Calheiros, considerada "um golpe" por diversos senadores, aconteceu na véspera da decisão do SupremoTribunal Federal (STF) sobre se o presidente do Senado será réu na ação de corrupção que trata do caso em que a empreiteira Mendes Junior é ausada de pagar a pensão de uma filha que ele teve fora do casamento.
Senadores como Cristovam Buarque (PPS-DF) e Ricardo Ferraço (PSDB-ES) classificaram a tentativa de Renan Calheiros como "abuso de autoridade", na medida em que, se aprovado o requerimento de urgência, o plenário correria o risco de votar um projeto que nem sequer discutiu o estudou.
Ferraço e Ronaldo Caiado, além de Ataídes Oliveira, destacaram o objetivo do projeto aprovado na Câmara é retaliar o ministério público e a Justiça, por investigar vários políticos, incluindo o presidente do Senado. O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) defendeu que o Senado aprovasse a proposta original das Dez Medidas.

Diario do Poder 

CHAPECOENSE

JOSÉ SERRA CHORA AO DISCURSAR EM ESTÁDIO, NA HOMENAGEM ÀS VÍTIMAS
COM VOZ EMBARGADA E LÁGRIMAS NOS OLHOS, SERRA EMOCIONOU ATÉ A APRESENTADORA DA CERIMÔNIA. (REPRODUÇÃO TV WINSPORTS)

MINISTRO AGRADECE AOS COLOMBIANOS E OS EMOCIONA. VEJA O VÍDEO.

Muito emocionado, o ministro José Serra (Relações Exteriores) acabou com sua reputação de político "cerebral": ele chorou copiosamente durante seu discurso na impressionante homenagem que milhares de torcedores do Atlético Nacional de Medellin fizeram aos brasileiros que morreram na queda do avião que levava à cidade o time do chapecoente. Enquanto chorava, Serra foi aplaudido de pé e arrancou lágrimas da apresentadora da cerimônia, que lhe segurava o microfone.
Discurssando em castelhano, Serra embargou a voz várias vezes, agradecendo "muitíssimo" a solidariedade dos colombianos. Ao final, em lágrimas, o ministro confessou que esta foi a maior emoção que sentiu em toda a sua vida.
Quase todos os colombianos que lotam o estádio Atanasio Giradot vestem camisas branca e verde, cores de ambos os times que deveriam jogar nesta noite a final da Copa Sulamericana. A plateia foi um show à parte. Foram levadas ao estádio muitas coroas de flores, faixas em homenagem aos brasileiros e um coro de arrepiar cantando "ê, ê, ê, ê, vamos, vamos, Chape".
Serra chegou ao estádio acompanhado do ministro Roberto Freire (Cultura). Ambos representaram o governo brasileiro nas cerimônias fúnebres de Fidel Castro, em Cuba, antes de desembarcarem em Medellin.


Claudio Humberto

DEFESA BILIONÁRIA

EMPREITEIRAS PAGAM OS ADVOGADOS DE CORRUPTOS, REVELA ODEBRECHT
DELAÇÃO DESVENDA MISTÉRIO SOBRE QUEM PAGA DEFESA MILIONÁRIA


Ao menos uma centena de advogados criminalistas vivem expectativa de nova fase da Operação Lava Jato, mas desta vez os alvos seriam eles próprios. É que, em sua delação premiada, a Odebrecht finalmente esclareceu um grande mistério: quem paga a milionária defesa dos acusados na Lava Jato. Executivos revelam que empreiteiras enroladas na investigação bancam a defesa milionária de políticos enrolados. A informação é do colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder.
Ainda não se sabe o que empreiteiras como Odebrecht gastaram (e ainda gastam) com advogados de políticos, mas pode chegar ao bilhão.
Por meio de quebra de sigilo e rastreamento, a Lava Jato pode chegar à origem eventualmente ilícita de honorários advocatícios
A investigação da origem dos pagamentos aos mais caros criminalistas do País deve ser cuidadosa, para não ofender a lei e melindrar a OAB.
Os escritórios e o exercício da advocacia são protegidos por legislação que garante aos profissionais direitos e prerrogativas especiais.


Diário do Poder

RETALIAÇÃO

DEPUTADOS AMEAÇARAM TAMBÉM CORTAR PRIVILÉGIOS DO MP E JUÍZES
DEPUTADOS QUASE ACABARAM COM APOSENTADORIA COMPULSÓRIA DE JUÍZES. FOTO; LUÍS MACEDO

DEPUTADOS QUERIAM ACABAR 'PUNIÇÃO' DE APOSENTADORIA INTEGRAL

Poderia ter sido pior a decisão da Câmara dos Deputados, interpretada como vingança, de aprovar a proposta responsabilizando procuradores e juízes que promovam perseguição a investigados. Na madrugada desta quarta (2), chegou a ser considerado no plenário o fim do privilégio de ambas as categorias de terem como punição máxima, por eventuais malfeitorias, a aposentadoria com vencimentos integrais. A informação é do colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder.
A impressão é que não só a Lava Jato provoca urticária na Câmara: é antigo o contencioso, sobretudo, entre parlamentares e procuradores.
Deputados não afetados pela Lava Jato relataram na Câmara casos de suposta perseguição de membros do MPF desde o governo FHC.
Lideres partidários argumentam que os procuradores e juízes não têm por que se preocupar: “A lei pune apenas os que agem mal”, dizem.

Cláudio Humberto

ILEGALIDADE COM A CHAPECOENSE

Especialista diz que, apesar de tragédia, segurar a Chapecoense na Série A é ilegal

Torcedores se reuniram em oração em Chapecó pelas vítimas do acidente na Colômbia

Estatuto do torcedor prevê meritocracia para acesso e descenso nas competições


As quatro principais forças do Estado de São Paulo se uniram durante a terça-feira para tentar dar algum respaldo à Chapecoense diante do trágico acidente que chocou o mundo com a queda do avião que levava a delegação à Medellín, na Colômbia. Além de Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos, outros presidentes de clubes brasileiros também já sinalizaram com apoio a causa, que tem como uma de sua intenções 'segurar' a equipe de Santa Catarina na Série A do Campeonato Brasileiro pelos próximos três anos.

Mas, analisando o plano dos clubes com a visão jurídica, não deve ser simples colocar a ideia em prática. Isso porque o Estatuto do Torcedor, teoricamente, não permitiria uma interferência nesse sentido, segundo explicou o advogado Jean Nicolau, especialista em Direito Desportivo e blogueiro do site da Gazeta Esportiva.

"O Estatuto do torcedor prevê meritocracia para acesso e descenso. Nesse caso, seria ilegal. Está no Artigo 10. 'Fica vedada a adoção de qualquer outro critério, especialmente convite, observando o princípio do acesso e do descenso'. Seria ilegal. Fica muito claro que a CBF não poderia apenas por meio de uma 'canetada', um ato administrativo, ou algo do tipo, fazer essa alteração. A única saída seria uma modificação da Lei", explicou o Nicolau.

Apesar do que está escrito, vale lembrar que no início desse mês a CBF alterou o dia e o horário da partida entre Ponte Preta e Santos, pela 34ª rodada do Campeonato Brasileiro, com menos de 24 horas de antecedência. O ato ignorou o mesmo Estatuto do Torcedor, que prevê o aviso-prévio nesse caso por no mínimo 48 horas de antecedência. Apesar das fortes reclamações à época, a alteração foi confirmada sem qualquer transtorno a entidade que gere o futebol brasileiro.

Já a questão que envolve a intenção dos clubes em emprestar jogadores gratuitamente para que o time de Chapecó possa se reconstruir é bem mais simples. Pedro Fida, também especialista em Direito Desportivo, confirmou que esses contratos poderiam ser firmados até mesmo sem a necessidade de envolvimento ou até mesmo uma autorização da CBF.

"Em princípio é um movimento dos quatro principais clubes de São Paulo, mas outros devem aderir ao movimento. Se for provocada formalmente, a CBF deve emitir uma autorização formal para esse tipo de situação. Eu acredito que seja favorável. Considerando que os empréstimos são situações entre clubes, se é oneroso ou gratuito, é uma relação privada. Se os clubes quiserem emprestar jogadores de graça, não há problema algum", disse Pedro Fida.





 Gazeta Press

CONCLUSÃO DA AERONÁUTICA

Avião da Chapecoense caiu por falta de combustível, conclui Aeronáutica da Colômbia

Das 77 pessoas que estavam no voo, apenas seis sobreviveram e estão em estado crítico

Aeronave da companhia LaMia estava sem combustível no momento do choque


As autoridades colombianas apresentaram nesta quarta-feira, em Medellín, as primeiras conclusões sobre o acidente aéreo do voo que transportava a Chapecoense até a cidade para jogo contra o Atlético Nacional, pela final da Copa Sul-Americana. Segundo o Secretário Nacional de Segurança Aérea da Colômbia, Freddy Bonilla, a aeronave da companhia boliviana LaMia estava sem combustível no momento do choque, o que indica a possibilidade de ter existido nos instantes anteriores uma pane elétrica.

"Podemos afirmar claramente que o avião não tinha combustível no momento do impacto. Uma das hipóteses com que trabalhamos é que como o aeronave não tinha combustível, os motores se apagaram e houve pane elétrica, como foi relatado pelo piloto para a torre de controle", disse Bonilla em entrevista coletiva no aeroporto Olaya Herrera, no centro da cidade.

O avião que transportava a delegação da Chapecoense caiu entre as cidades de La Ceja e La Unión, na região metropolitana de Medellín, capital do departamento de Antioquia. As investigações preliminares foram apresentadas pela primeira vez nesta quarta-feira, logo depois do vazamento de conversas de áudio entre o piloto do avião e a torre de controle do aeroporto José Maria Cordóva mostrarem um diálogo desesperado para pousar o quanto antes, já que os tanques estavam vazios.

De acordo com Bonilla, a ausência de combustível é uma desobediência grave às regras do transporte de passageiros. "Qualquer aeronave no mundo precisa ter no mínimo uma quantidade extra de reserva para aguentar 30 minutos além do tempo previsto de voo e ainda mais 5 minutos ou 5% da distância, para que assim se tenha uma segurança. Vamos investigar para saber por que a tripulação não contava com combustível suficiente", explicou.

Os órgãos colombianos confirmaram que o voo fretado saiu de Santa Cruz de la Sierra com destino a Medellín sem previsão para escalas. O tempo do deslocamento seria de 4 horas, porém a queda se deu antes de se chegar a esse prazo. O avião se chocou com uma montanha a uma altitude de 2,2 mil acima do nível do mar, em velocidade aproximada de 250 km/h.

O secretário desmentiu um boato que circulava na Colômbia sobre o voo da Chapecoense ter ficado no ar para ter que aguardar a liberação da pista. Segundo ele, minutos antes da aproximação da aeronave com a equipe catarinense, a pista teve, sim, de receber o pouso de emergência de um voo que saiu de San Andrés, ilha colombiana no Caribe, com destino a Bogotá. Porém, de acordo com Bonilla, isso não fez com que a viagem do time de futebol fosse afetada.

"Às 9h41 da noite o voo da Chapecoense foi autorizado a se aproximar. Às 9h52 o avião que vinha de San Andrés e estava sem combustível, pousou na pista, após desviar seu destino. Nesse mesmo instante o voo da companhia aérea LaMia comunicou a situação de emergência", explicou. Quatro minutos antes desse pedido de socorro, o piloto boliviano solicitou prioridade na pista.

No horário colombiano (três horas a menos que o do Brasil) das 9h57 da noite de segunda-feira foi feito o último contato. Nessa conversa, a LaMia declarou à torre de controle a falha completa do sistema elétrico, assim como o tanque vazio. Houve perda de contato e a posterior queda do avião, que causou morte de 71 pessoas.

Junto com Bonilla, o diretor geral da Aerocivil, Alfredo Bocanegra, explicou que no primeiro momento, a expectativa por sobreviventes era mais alta. "Chegamos a pensar que seriam 11 sobreviventes, mas são somente seis. Encontramos as duas caixas pretas com facilidade e vamos continuar os trabalhos de apuração", contou. Desses seis, dois são tripulantes bolivianos, três são jogadores da Chapecoense e o outro é jornalista.

Bonilla explicou que os áudios que circulam com supostas conversas entre o piloto Miguel Quiroga e a torre de controle tiveram conteúdos editados e inexatos e considerou a propagação do conteúdo um desserviço, por considerar que contribuem para a falta de esclarecimento sobre o acidente.

CRONOLOGIA DOS CONTATOS:

21h41 - Aeronave da LaMia é autorizada pela torre de controle a iniciar a aproximação ao aeroporto José Maria Cordova, em Rionegro, região metropolitana de Medellín

21h48 - Aeronave da LaMia pede prioridade na pista

21h52 - Voo da VivaColombia que estava sem combustível desvia trajeto entre San Andrés e Bogotá para pouso de emergência na pista

21h52 - Avião que trazia equipe da Chapecoense comunica situação de emergência, com o pedido de prioridade imediata

21h57 - Piloto boliviano faz apelo de falha completa, com pane elétrica e tanque vazio, no último contato com a torre

22h05 - Avião se choca com as montanhas a 250km/h 



 Agência Estado

JOGO E MUITA FESTA

Chapecoense aceita entrar em campo contra o Atlético, e presidente da CBF pede 'grande festa'

Ivan Tozzo (blusa clara) afirmou que a Chapecoense quer entrar em campo contra o Atlético pelo Brasileiro


A partir de pedido feito pela CBF, Ivan Tozzo afirmou que pretende utilizar jogadores que ficaram em Chapecó, mas atletas do time de juniores no duelo contra o Galo


Chapecó - Chapecoense e Atlético devem se encontrar na última rodada do Campeonato Brasileiro. Em coletiva de imprensa realizada na tarde desta quarta-feira, em Chapecó, o presidente em exercício do time catarinense, Ivan Tozzo, revelou conversa com o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, que se mostra favorável a "uma grande festa" na cidade para homenagear os 71 mortos da tragédia na Colômbia. "Festa"teria sido o termo usado na conversa, apesar do acontecimento lamentável.

"Conversei com o presidente Del Nero, e ele falou o seguinte: ‘Contra o Atlético Mineiro, vamos fazer um grande evento em Chapecó, que vai ser marcado’. Daí eu respondi pra ele: Mas nós não temos 11 para colocar em campo. O presidente então falou: ‘Vocês têm categoria de base, convoca os jogadores que vão se recuperando do departamento médico’, que nós temos cinco ou seis jogadores lesionados, mas alguém que está pronto a jogar. ‘E completa o time com os juniores. Não importa o resultado. Tem que fazer uma grande festa, que vocês merecem, que Chapecó merece, que a região merece, que Santa Catarina merece, que o Brasil merece”, relatou Tozzo.

Depois da entrevista coletiva, Tozzo, em bate-papo com os jornalistas na sala de imprensa, afirmou que a torcida da Chapecoense merece um jogo de despedida após a tragédia.

Não se sabe se houve pressão da CBF para a realização da partida. O fato é que o dirigente da Chape concordou com os argumentos da entidade. “Vamos fazer um jogo comemorativo. A torcida merece um jogo de despedida do pouco time que sobrou mais os juniores. Vamos montar um time. Não nos interessa o resultado. Queremos jogar e fazer o encerramento do Campeonato Brasileiro”.

Caso a partida realmente aconteça, ela será realizada no dia 11 de dezembro, pela rodada derradeira do Campeonato Brasileiro.

Atlético não queria jogo

Em nota divulgada nessa segunda-feira, o Atlético pedia à CBF o cancelamento da partida contra a Chapecoense. O Alvinegro afirmou que era ‘incabível’ a realização do jogo pela última rodada do Brasileirão, mas que esperaria o aval da CBF e também dos outros clubes da Série A para não entrar em campo. Veja abaixo.

“Até por uma questão humanitária, é contra a realização do jogo Chapecoense x Atlético, válido pela última rodada do Campeonato Brasileiro, considerando incabível a sua realização diante dos acontecimentos. É importante, para isto, que haja deliberação da CBF e dos demais clubes da Série A”.



Superesportes

HOMENAGEM COLOMBIANA

Colombianos lotam estádio da final e se unem à Chapecoense em demonstração de solidariedade

Bela cerimônia para homenagear as vítimas da tragédia foi marcada pela emoção no Atanasio Girardot

Cerimônia reuniu 40 mil torcedores no Atanasio Girardot e cerca de 100 mil nas ruas


A queda do avião que levava a equipe da Chapecoense para a disputa do primeiro jogo da final da Copa Sul-Americana acabou com o sonho não só de um time como de uma cidade inteira e, por fim, chocou o mundo em uma das maiores tragédias da história do esporte. Nem por isso o Estádio Atanasio Girardot não acendeu seus refletores e deixou de ter suas arquibancadas tomadas por cerca de 40 mil torcedores. Às 18h45 desta quarta-feira (horário local de Madellín, 21h45 de Brasília), em vez de a bola rolar, deu-se início a uma celebração de homenagem aos 71 mortos no acidente que ocorrera tão perto dali. A Colômbia mais uma vez parou para celebrar o futebol que tanto venera, não por causa de um gol para ter uma taça, e sim por solidariedade, respeito e compreensão.

Somando as pessoas que tomaram as ruas, mais de cem mil pessoas participaram da homenagem, segundo a polícia colombiana.

A ambição, as rivalidades, as indiferenças e as paixões futebolísticas foram deixadas de lado pelo povo de Medellín. O semblante de todos era de tristeza. As pessoas, uniformemente de branco, faziam suas homenagens individuais ou de forma coletiva. Não foram poucas as faixas e cartazes em referência à Chapecoense e seus torcedores: “Uma nova família nasce”; “Futebol não tem fronteiras. Força a família, torcida e ao povo Chapecoense”; “Estamos contigo, Chape”; “Todos somos Chape”; “Equipe imortal. Campeões para sempre”; “Se foram como lendas”, diziam algumas delas.

Velas foram acesas por muitos torcedores e deixaram o cenário mais bonito e reflexivo. Nesse momento, o exército colombiano rondou o gramado com as bandeiras de todas as nacionalidades que perderam pessoas no acidente. Em seguida, os atletas do Atlético Nacional apareceram no gramado sem chuteiras, mas com flores nas mãos. E após os soldados executarem os hinos da Colômbia e do Brasil, o estádio ganhou novamente ares de uma partida de futebol com os gritos inflamados de “Vamos vamos, Chape”.

A homenagem seguiu com discursos inflamados e emocionantes de autoridades locais, além de pessoas que puderam representar a dor e o sentimento que aflige a tantos. José Serra, ministro de relações exteriores do Brasil, foi às lágrimas e tocou o público com sua manifestação ao microfone para um estádio quieto e atento.

“De coração, muito obrigado. Nesse momento de grande tristeza para as famílias, para todos nós, as expressões de solidariedade que aqui encontramos, como a solidariedade que trás cada um de vocês, colombianos e torcedores do Atlético, ao estadio é um consolo imenso, uma luz quando todos estamos tentando entender o incompreensível. Os brasileiros jamais esquecerão a forma como os colombianos sentiram algo como esse terrível desastre, que interrompeu o sonho desse heróico time da Chapecoense, em uma espécie de condo de fadas com final trágico, assim como não esqueceremos a atitude do Atlético Nacional e de todos os torcedores que pediram que o título de campão da Copa Sul-americana fosse concedido à Chapecoense. Um gesto de honra ao esporte, um esporte de qualquer lugar, que honra a cidade de Medellín e que faz ainda maior as glórias do Atlético de Medellín”, falou Serra, ovacionado e com os olhos repletos de lágrimas.

“Depois do ocorrido na fatídica noite de terça, o Brasil acordou para uma realidade de uma festa que não existiu, de um jogo que não pôde ser realizado. Que as cores da Chapecoense, assim como do Atlético, sejam verde e branco, de esperança e paz”, continuou o ex-governador do Estado de São Paulo. “Mas além da tragédia que vitimou os jornalistas e membros da tripulação, as inúmeras manifestações são testemunhos da nobreza do esporte como canalizador dos melhores sentimentos humanos e como ferramente de tolerância para construir um mundo melhor. Muito obrigado, Colômbia, muito obrigado Medellín, muito obrigado Atlético, e a todos que aqui estão. A todos vocês, um abraço pessoal muito apertado. E dizer sobre a emoção de ouvir o hino que vocês fizeram questão de tocar aqui, quero dizer que em toda minha vida nunca tive uma emoção semelhante”, concluiu o ministro.


Já na parte final da homenagem, que durou cerca de 1h45, crianças entraram em campo uniformizadas com as vestimentas de Atlético Nacional e Chapecoense e soltaram 71 balões em homenagem a cada pessoa morta depois da queda do avião contratado pelo clube catarinense. E quando o casal que coordenou a cerimônia desta quarta cantou nome por nome de todos os vitimados, o público atirou ao gramado todas as flores que tinham em mãos. Mais flores caíram dos céus com a ajuda de um helicóptero em meio à leitura de uma carta enviada pelo Papa Francisco. De novo, o público deu o tom com aplausos efusivos, que se estenderam quando um dirigente da Chape subiu ao palco para receber uma placa dedicatória.

Os instrumentos da orquestra filarmônica de Medellín só não finalizaram a histórica homenagem no Estádio Atanasio Girardot porque os tradicionais tambores da torcida do Atlético Nacional entraram em ação e convocaram o cântico de “Vamos vamos, Chape”, entoados ainda mais alto pela última vez, pelo menos nesta quarta, pois fica claro que a ligação entre a instituição colombiana, uma das maiores do continente e fundada em 1947, estará para sempre vinculada ao modesto time de Chapecó, criado em 1973, mas que jamais será esquecido e foi simbolizado em uma frase estampada em uma das camisas criadas pelo Nacional: “Nada nos separa mais”.



Gazeta Press

SANTA CRUZ - CONDICIONANDO A SUA RENOVAÇÃO

Danny Morais condiciona renovação de contrato a pagamento a funcionários e melhorias no clube

"Complicado negociar um contrato sabendo que existem pendências", analisou o zagueiro Danny Morais

À espera de projeto da diretoria para melhor estruturação do clube para o ano que vem, zagueiro diz que sofre vendo funcionários com salários atrasados


Um dos líderes do elenco do Santa Cruz, Danny Morais ainda tem o seu futuro indefinido. O zagueiro encerra contrato um dia antes da última rodada da Série A - adiada de 4 para 10 de dezembro devido à tragédia com a delegação da Chapecoense. Pode aceitar um aditivo contratual para jogar a última partida do Brasileiro, contra o São Paulo, no Pacaembu. Mas só segue no Arruda em 2017 se o clube lhe apresentar um projeto que vai muito além do pagamento de salários atrasados a ele.

Assim como o restante do grupo, Danny Morais está sem receber há três meses. Ainda assim, na sua passagem pelo Santa não se furtou em ajudar financeiramente os funcionários mais necessitados - alguns até com seis folhas de pagamento pendentes. Mais do que ter os seus proventos pagos pela direção, o zagueiro se diz muito mais incomodado com a situação vivida pelos trabalhadores do clube. Não quer conviver com essa realidade por mais um ano. "A gente sofre vendo funcionários sem receber, chegando até nós com dificuldades. Isso não me faz bem e a gente tem que rever isso aí."

Fora a resolução da situação dos funcionários, Danny Morais quer saber detalhes do planejamento do Santa para 2017. "É meio complicado negociar um contrato sabendo que existem pendências, mas não é o que vai definir a minha vida. Minha vida vai ser definida em relação a perspectivas, objetivos, colegas, em relação a quem vem", declarou. "O clube primeiro precisa se estruturar. Todo mundo sabe do meu carinho, do meu desejo de permanecer, mas tem que ter uma coisa sólida, boa para todo mundo", emendou.

Danny Morais não sabe nem mesmo se jogarará a última partida da Série A devido ao encerramento do seu contrato no dia anterior. Espera a proposta de extensão provisória. "Não sei como proceder em relação a isso. Vamos aguardar um posicionamento da diretoria", pontuou.



Diario de Pernambuco