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terça-feira, 29 de setembro de 2026

PEIXE-BOI IMPORTUNADO

Peixe-boi é importunado por banhistas em praia próxima a Porto de Galinhas

Banhistas aglomerados ao redor de peixe-boi (Foto: Reprodução/ Instagram @diariodeipojuca)

Turistas, mergulhadores e guias tocaram no animal, cuja espécie corre alto risco de extinção


Um peixe-boi que apareceu na Praia do Cupe, em Ipojuca, na região de Porto de Galinhas, no Litoral Sul de Pernambuco, foi cercado por diversas pessoas e acabou virando protagonista de uma série de vídeos que repercutiram nas redes sociais neste sábado (27).

Nas imagens, guias, trabalhadores e turistas aparecem ao redor do animal. Em alguns momentos, pessoas chegam a tocar e até montar no peixe-boi, enquanto ele permanece na água, aparentemente com pouco espaço para se movimentar livremente.

A situação gerou críticas e denúncias nas redes sociais. Diversas pessoas questionaram a atitude de quem se aproximou e interagiu diretamente com o peixe-boi, espécie considerada em risco alto de extinção, defendendo que o animal deveria ter sido deixado livre, sem ser cercado ou manipulado.

A Praia do Cupe fica no município de Ipojuca e faz parte da região turística de Porto de Galinhas, um dos principais destinos turísticos de Pernambuco.

Prática é considerada crime ambiental

De acordo com o Manual de Boas Práticas de Interação com Sirênios no Brasil, produzido pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos (CMA) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), é proibido tocar ou tentar tocar em qualquer espécie de sirênio (como o peixe-boi-marinho) com qualquer parte do corpo ou objeto.

A ação é considerada crime ambiental pela Lei nº 9.605/1998 e o Decreto Federal nº 6.514/2008, e seu descumprimento pode resultar em detenção de seis meses a um ano, além de multas que podem ultrapassar o valor de R$ 2, 5 mil.

Orientações

De acordo com o "Pequeno Manual para Guardiões do Peixe-Boi Marinho", produzido pelo ICMBio, a interação com os humanos é uma grande ameaça. Entre as atitudes que podem representar riscos ou provocar estresse estão: passar a mão com protetor solar e cremes diversos; colocar crianças em cima do animal para tirar fotos; dar alimento ou líquidos que não fazem parte da dieta do mamífero; perturbar qualquer atividade que eles estejam fazendo.

Além disso, existe o risco de saúde pra ambos os lados. Tanto os animais podem passar doenças para os seres humanos quanto as pessoas podem passar para eles.

Ananda Brayner

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