GIF Patrocinador

GIF Patrocinador

sábado, 10 de outubro de 2026

ARMAÇÃO PARA BLINDAR LULA

Braço direito de Gonet na PGR impediu delação de Vorcaro envolvendo Instituto Lula

Foto do advogado Ciro Soares, amigo de Vorcaro, com o PGR Paulo Gonet, extraída pela PF do celular do ex-banqueiro investigado.

Homem identificado como "Ubiratan" barrou referências a Lula já no início das tratativas para acordo de delação


Em áudio obtido pela revista Veja, Daniel Vorcaro descreve a reação inicial de um auxiliar da Procuradoria-Geral da República (PGR) ao ouvir a proposta de colaboração que mencionava Lula (PT).

Segundo a revista, o banqueiro — preso em Brasília desde março — relata a um interlocutor o que teria ocorrido na primeira vez em que seus advogados levaram à PGR uma proposta de delação que incluía o nome de Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, amigo de longada data do atual presidente e já apontado como seu “operador”. No trecho, Vorcaro afirma que “Ubiratan”, descrito como braço-direito do procurador-geral Paulo Gonet, teria reagido dizendo: “pelo amor de Deus, cê não tem nada disso aqui não”.

Ainda de acordo com o relato, os interlocutores da Procuradoria teriam argumentado que o pagamento foi feito em dinheiro vivo e, por isso, não poderia ser provado, sugerindo que o trecho fosse retirado da proposta. “Eles já saíram na largada assim”, diz Vorcaro na gravação.

Veja informa que o nome de Ubiratan aparece ao final do áudio, mas o trecho foi cortado para preservar a identidade do interlocutor do banqueiro. A publicação se soma a outra reportagem da revista, da edição em bancas, em que Vorcaro relata ter liberado R$30 milhões em dinheiro vivo para um filme sobre Lula e também ter repassado quantias ao Instituto Lula.

A PGR, em nota, afirmou que as tratativas de colaboração premiada envolvendo Vorcaro foram sempre mediadas por advogados contratados pelo investigado e que todas as propostas formalizadas pela defesa foram recebidas na forma em que foram elaboradas, “sem juízo nem recusas prévias”.

A Polícia Federal divulgou nota dizendo que Vorcaro não prestou depoimento com o teor relatado nem entregou à instituição anexos, documentos ou informações sobre o tema. A Veja ressalta que nunca afirmou que os áudios e documentos foram apresentados à PF, nem que o banqueiro tenha falado pessoalmente, em primeira pessoa, com a PGR. Segundo a revista, a versão de um depoimento formal à PF não consta da reportagem e foi desmentida pela defesa.

Os advogados de Vorcaro confirmaram que o dono do Banco Master “possui informações personalíssimas e relevantes para o caso e segue disponível para contribuir com as autoridades”. A Veja diz que os relatos estão em áudios obtidos com fontes próximas ao banqueiro, que acompanharam as tentativas de delação na PGR ou na PF; as identidades foram preservadas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário